DOENÇA DE ALZHEIMER E A NUTRIÇÃO

A doença de Alzheimer (DA) caracteriza-se como um transtorno degenerativo e progressivo, marcado clinicamente pelo declínio da memória, sobretudo para fatos recentes (memória episódica). Os sintomas aparecem de forma repentina, com piora progressiva, comprometendo as atividades da vida diária, embora períodos de relativa estabilidade clínica possam ocorrer. As alterações neuropatológicas observadas na DA incluem morte de neurônios e perda de conexões sinápticas em regiões específicas do cérebro.

A idade avançada acarreta em mudanças microvasculares no cérebro, como diminuição do fluxo sanguíneo e do transporte e utilização da glicose, perda da inervação, queda na regulação neurogênica vascular e frequente deposição de Beta-amiloide cerebral. Em um círculo vicioso, esses fatores produzem desintegração cerebral, com comprometimento de metabolismo neuronal, deficiência mitocondrial, estresse oxidativo e falha na degradação de proteínas, induzindo à atrofia cerebral, com diminuição da memória e da atividade cognitiva. Desta maneira, a idade encontra-se intimamente ligada ao desenvolvimento e à progressão da DA.

Outros fatores de risco também são associados ao risco para DA, como doenças cerebrovasculares, tabagismo, obesidade, hipercolesterolemia, alterações na secreção de insulina, resistência à insulina e história de diabetes. Muitos estudos clínicos e observacionais sugerem uma forte associação entre dieta e declínio cognitivo e como a alimentação pode ser facilmente modulada pode ser um grande influenciador nos fatores de risco.

Estudos epidemiológicos mostram efeitos protetores de vários nutrientes, incluindo vitaminas do complexo B, nutrientes antioxidantes e ácidos graxos poli-insaturados. Esses nutrientes se relacionam com aumento da plasticidade neuronal e com redução de processo neurodegenerativo, atuando como alternativas importantes para redução do risco para DA.

NUTRIENTES ANTIOXIDANTES

A fase inicial da doença está relacionada ao aumento do estresse oxidativo. Neste sentido destaca-se a vulnerabilidade do cérebro aos danos provocados pelos radicais livres, visto que é rico em ácidos graxos poli-insaturados, apresenta menor concentração de componentes antioxidantes, tem alta concentração de metais de transição e é o órgão com alta taxa metabólica, utilizando 20 % do oxigênio corporal.

Assim uma alimentação rica em vitaminas e minerais é extremamente importante para neutralizar esse efeito oxidativo. Vamos destacar alguns desses nutrientes.

Considerando que o SELÊNIO é uma importante molécula antioxidante, neutralizadora de peróxidos no organismo humano, muitos estudos têm demonstrado uma relação importante entre o status desse mineral e o declínio cognitivo, sugerindo que a sua deficiência pode aumentar o risco para a doença.

As melhores fontes alimentares de selênio são as carnes, ovos, os cereais integrais e a castanha do Brasil (ou do Pará)

Outros nutrientes com função antioxidante importante são as vitaminas C e E e do complexo B.

Como fontes alimentares dessas vitaminas temos os seguintes alimentos:

  1. Vitaminas do Complexo B

– B1 (Tiamina): gema do ovo, arroz integral, aveia, castanha-do-pará, fígado, cereais integrais, feijão, peixes, pão integral.
– B2 (Riboflavina): brócolis, abacate, amendoim, castanhas, lêvedo de cerveja, nozes, leite, carne, ervilhas e verduras.
– B3 (Niacina): fígado, levedura de cerveja, carnes magras, ovos,  leite, amendoim, castanha do Pará, fígado, frutas secas, tomate e cenoura.
– B5 (Ácido Pantotênico): ervilha, feijão, cogumelo, ovos, gérmen de trigo, melado, salmão.
– B6 (Piridoxina): melado, levedo de cerveja, farelo de trigo, leite, arroz integral, aveia, cereais integrais, batata, melão.
– B7 (Biotina): fígado, levedo de cerveja, gema de ovo crua, leite, nozes, gérmen de trigo, amendoim e aveia.
– B9 (Ácido Fólico): verduras de folha verde, vísceras de animais, frutas secas, legumes, levedura de cerveja e grãos integrais.
– B12 (Cobalamina): alimentos de origem animal ( carnes, ovos, leite e derivados)

2. Vitamina C (ácido ascórbico): laranja, abacaxi, limão, goiaba, maracujá, acerola, mexerica, kiwi, morango, abóbora, couve-flor, repolho, tomate.

3. Vitamina E: cacau, sementes e oleaginosas, peixes (salmão), ovo.

Outro nutriente que apresenta como um fator protetor do Sistema Nervoso Central é o Ômega-3. Isso se dá devido ao seu papel anti-inflamatório. Estudos têm demonstrado uma série de benefícios em decorrência ao consumo de Ômega-3, principalmente em relação à inibição da cascata inflamatória e redução do estresse oxidativo.

Como fontes alimentares temos os peixes (sardinha) e sementes/óleos vegetais (linhaça, gergelim, girassol) e algas.

Dieta e alimento

Dietas restritivas em calorias têm demonstrado aumento na expectativa de vida, além de maior resistência dos neurônios à degeneração. Uma explicação para esse efeito seria a redução do estresse oxidativo, já que a metabolização de nutrientes acarreta em aumento significativo na produção de radicais livres.

Por outro lado, dietas hipercalóricas têm sido associadas ao aumento do risco de DA.

A dieta do Mediterrâneo tem se mostrado eficaz ao reduzir o risco de declínio cognitivo relacionado à idade e está associada a um menor risco de DA. Isso se deve à qualidade dos alimentos incluídos nesse tipo de dieta como peixes, cereais integrais, azeite de oliva e vinho tinto e ao elevado teor de antioxidantes combinado com reduzida ingestão calórica.

Considerações finais

A DA é uma doença multifatorial, quando diagnosticada, já apresenta sérias alterações fisiopatológicas, usualmente irreversíveis. Deste modo, a prevenção consiste na melhor maneira de lidar com a doença e, por isso, uma alimentação balanceada deve ser recomendada para todos os indivíduos, independente da faixa etária.

 

 Referências bibliográficas:

  • MORITZ, B., MANOSSO, L. M.; Nutrição Clínica Funcional: Neurologia, ed. VP, São Paulo, 2015.
  • Paschoal, V.; Marques, N.; SANT’ANNA, V. SUPLEMENTAÇÃO, ed. VP, São Paulo, 2015.

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